2013/08/18

DLXIII

XV OBERT INTERNACIONAL SANT MARTÍ
CRÓNICA DE LUÍS SILVA

PARTE I
Findo o VI Torneio Cidade de Gaia, onde a minha prestação não correspondeu às expetativas que delineei, partia imediatamente para Barcelona com a intenção de contactar com um nível escaquístico muito superior àquele existente em Portugal, ou seja, ganhar uma experiência enquanto jogador que neste país é impossível de ter. Além disso, ia sozinho. Por um lado é muito bom para crescer porque, privados da companhia de alguém, temos de ser nós a gerir todas as emoções que acontecem ao longo do torneio. Não temos ninguém ao lado para depositar as frustrações aquando as derrotas, ou alguém que nos controle a euforia nas vitórias. Ninguém para dar sugestões, ou simplesmente para falar e dar um passeio. No xadrez, principalmente no patamar da alta competição, é necessário descarregar o stress acumulado durante a prova, e um parceiro é sempre o ideal. Por isso, tento sempre levar alguém comigo para os torneios de longa duração. Para Barcelona não consegui, no entanto, e felizmente, apesar de alguns problemas que tive de controlar para que a minha prestação não fosse afetada, correu tudo bem.


Com saída do aeroporto Francisco Sá Carneiro dia 13 de Julho pelas 6h00 cheguei ao aeroporto El Prat pelas 9h00 (hora local). Apanhei a camioneta com direção a Barcelona e posteriormente o metro até chegar ao Hostel Be Dream cuja reserva já tinha sido feito uns dias antes. Tendo chegado ao hostel a minha primeira ação foi dormir. É necessário ter alguma energia para o jogo que se avizinhava e, visto que não tinha dormido decentemente na noite de 12 para 13 de Julho, eram recomendáveis umas horas de sono. 

A base de descanso para recarregar baterias: Hostel Be Dream@Barecelona.

Com baterias ligeiramente carregadas almocei rapidamente e fui descobrir onde era o torneio. Andei perdido, mas com umas perguntas aqui e acolá e uma chamada ao Bruno Gomes (capitão sempre presente J) consegui resolver o meu problema. Chegando ao sítio de jogo fiquei imediatamente impressionado com a organização existente: a sala era espaçosa (difícil quando se tem mais de 300 pessoas no mesmo sítio!), os tabuleiros de boa qualidade e havia placas em cada mesa que identificavam quais os jogadores que ali se sentariam! 
A minha placa identificativa!

A primeira jornada foi bastante tranquila. Defrontei o norueguês Andersen Guttorm que era teoricamente mais fraco eu. Após uma imprecisão na abertura por parte do meu adversário, criei-lhe problemas que foram impossíveis de resolver.


EXERCÍCIO 1
Normalmente as brancas já teriam Cb1-c3 neste tipo de posições.
 Como podem (e devem!) as brancas aproveitar o tempo não gasto no desenvolvimento dessa peça?


No fim da partida tive uma análise da mesma com o meu adversário. Uma análise extremamente pacífica acompanhada por um diálogo no mesmo tom.  Foi um adversário extremamente bem educado (à moda dos países nórdicos) com quem mantive contacto ao longo do torneio.

  Na segunda jornada iria defrontar o MF (Mestre FIDE) Mhamal Anurag da Índia, que, além de ter a minha idade, tinha sido recentemente coroado com uma norma de Mestre Internacional (uma norma de Mestre Internacional é conquistada quando em certo torneio se obtém uma performance de rating acima de 2450 pontos de Elo FIDE. Para ser Mestre Internacional são necessárias três normas e um rating de 2400 ou mais pontos de Elo FIDE. Mais informações: http://www.fide.com/fide/handbook.html?id=163&view=article) num outro torneio do circuito catalão (e também fez a sua segunda norma neste torneio de Sant Martí!). Então, sendo ele superior a mim e demonstrado constante evolução, esperava um jogo onde eu não teria algum tipo de hipótese. No entanto, após uma abertura inócua por parte do meu adversário, consegui resolver qualquer tipo de problema que poderia existir, e comecei a comandar no jogo.


EXERCÍCIO 2- Qual a continuação mais promissora para as negras?

Quando parecia que ele tinha resolvido as dificuldades que lhe coloquei, propus empate... A minha proposta foi prontamente rejeitada pelo jovem MF indiano e, estando ele em apuros de tempo, começaram a surgir erros que foram facilmente aproveitados por mim! Em desespero propõe empate, mas aí fui eu que imediatamente rejeitei e a partida terminou com a minha vitória poucos lances depois!...  De todas as partidas do torneio destaco esta como sendo a que joguei mais corretamente. Felícíssimo fui para o hostel... A ideia que tinha antes deste torneio era a de que os jogadores mais fracos, quando começam com resultados positivos, aumentam a sua força significativamente e muitas vezes conseguem dar continuidade a essa senda. Como será possível ver nas próximas partes desta crónica eu não fui exceção J.


SOLUÇÕES DOS EXERCÍCIOS NA PARTE II DESTA CRÓNICA!! 

1 Comments:

Anonymous Anónimo said...

entao quando e que sai o proximo episodio da novela?

agosto 18, 2013  

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